terça-feira, 29 de julho de 2014

A trilogia do azeite, vinho e pão Na Idade média havia a uma preocupação constante por parte da Igreja em simbolizar o quotidiano e a alimentação. Temos então, 3 alimentos que representavam para a religião cristã o símbolo perfeito da Santíssima Trindade, o pão, o vinho e o azeite. O Pão O mais importante elemento alimentar da Santíssima Trindade. Este é o corpo de Cristo, aquele que Jesus partilhou com os seus discípulos no Monte das Oliveiras na sua última refeição. O pão era simplesmente feito a partir da fermentação natural da água com a farinha e à qual se vai acrescentando progressivamente mais água e mais farinha até se chegar à quantidade de massa desejada. É o denominado pão ázimo, ainda consumido hoje. Só em 1663 se inventou o fermento propriamente dito. Na sociedade medieval, os padeiros eram considerados “gente de valor para a sociedade”. Temo o exemplo na História portuguesa de valentes padeiras a defender a pátria. Profissões como o padeiro, o moleiro e o forneiro eram profissões altamente valorizadas na sociedade medieval. Os seus instrumentos de trabalho, tais como os campos, os moinhos e os fornos eram taxados pela sua utilização e pertenciam quase sempre a um Senhor, para além dos fornos usados na produção caseira. Fazia-se pão em casa, no castelo, nas vilas, aldeias e cidades, nas tabernas e nos mosteiros. E as técnicas variavam: Nas cinzas, no forno, numa forma de barro, envolto em folhas de couve, frito numa frigideira, assado no espeto, etc. Mas o mais comum era a bucha, uma bola achatada na base. O comprado ao padeiro ou feito no forno comunitário levava uma marca para que pudesse ser reconhecido; era benzido, nunca tocava diretamente a mesa, tendo sempre um pano a guardá-lo (referência ao pão sagrado da Bíblia) e não tinha sal por este ser caro. O Vinho Para entendermos o vinho temos que entender a água. A água sempre foi um objecto de desconfiança antes e durante a Idade Média, já que esta transmitia doenças, podendo inclusive causar morte se usada com frequência na higiene pessoal, por exemplo, ou na lavagem dos pratos, que para isso eram limpos com areia. Por isso, o Homem “inventou” outros meios para saciar a sua sede.Obviamente, o aumento e desenvolvimento do cultivo e uso da vinha deu-se de acordo coma as suspeições antigas sobre a água e até as crianças eram alimentadas a vinho.O vinho representa o sangue de Cristo, aquele que Ele derramou para nos salvar e portanto, a sua presença na mesa medieval não podia faltar. É o segundo elemento da Santíssima Trindade.O vinho era a bebida-rei, tal como o pão era o alimento-rei. Nenhum destes dois alguma vez faltava numa casa medieval, por mais simples que fosse. E mesmo com as invasões bárbaras, depois da queda do Império Romano, a viticultura foi mantida e até desenvolvida, principalmente pelos mosteiros; a sua tecnologia quase se manteve inalterada até ao século XIX. Haviam, já na Idade Média os mesmos gêneros que hoje em dia: Tinto, branco, rosés, maduros, verdes, etc. E nem sempre era bebido puro; podia, e maioritariamente o era, cortado com água (meados ou terçados).Noutras partes da Europa, era a cerveja e as bebidas destiladas que substituíam o vinho, devido às condições climatéricas e, também, devido a particularidades culturais. Mas isto demonstra, mais uma vez, as facilidades de cultivo que a Península Ibérica tinha e tem. O Azeite O azeite é o último dos elementos da Santíssima Trindade, com qual luz se reconhece o caminho de Cristo e com o qual se unge aqueles que mais o merecem. Aliás, o nome Cristo vem do antigo grego e significa O Ungido. O azeite existia em abundância no Sul da Europa e em venda nos países que o importavam. A sua extração dependia, do cultivo da oliveira, que é uma árvore que só subsiste em solos de clima quente, e a sua exportação implicava uma perda da sua qualidade, chegando a países mais longe que a França de maneira rançosa, incolor e excessivamente caro. Os povos do Sul tinham a assim a possibilidade de se alimentarem mais saudavelmente.Porém, o azeite era, maioritariamente, usado para a iluminação e só aqueles com mais posses o podiam comprar regularmente para uso na culinária. Era a banha a gordura mais usada na confecção dos alimentos. Esta era acessível a todos, visto ser facilmente retirada das gorduras do porco que era um animal muito criado e muito consumido e tinha a vantagem de ser menos susceptível de se estragar tão rapidamente. Por motivos financeiros, climatéricos e de acesso à produção que no Norte da Europa era a manteiga a que era mais usada, tal como a banha, deixando de fora o azeite e a sua importância simbólica.

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